top of page

Novos factos sociais

  • Mar 3, 2017
  • 2 min read

Ainda me lembro de dizer ao meu pai que não percebia para que queriam os adultos tanto dinheiro, se não o usavam.


Era Natal há mais de uma década atrás, e provavelmente estaria a pedir-lhe duas a três prateleiras de brinquedos com cores apelativas e sem utilidade nenhuma, ao que ele me deverá ter respondido que não podia gastar dinheiro naquilo tudo. E, nessa altura, achei que não fazia sentido as pessoas quererem o dinheiro, se não o podiam gastar onde realmente importava, ou seja, em brinquedos.


À medida que crescemos, vamo-nos apercebendo da importância das prioridades que estipulamos na nossa vida, e gerimo-nos à volta delas, aprendemos a resistir (…às vezes) às “cores berrantes” dos “supermercados” desta vida.


Mas seremos nós a definir as nossas prioridades?


Nos tempos que correm (ou que voam), as crianças crescem próximas de tudo, com acesso quase ilimitado, e a limitação desse acesso é, a meu ver, fulcral para o seu desenvolvimento saudável. As redes sociais já nos aproximaram, e neste momento, comparam-nos. São ferramentas bastante úteis, mas principalmente para quem aprendeu a viver a vida antes delas existirem.

Sendo nascido e criado no inicio da década de 90’, lembro-me de usar o telefone de casa quando precisava, lembro-me de usar a biblioteca para fazer trabalhos e, principalmente, lembro-me de sair de casa apenas com as chaves e a carteira.

Não tendo sido criado com o bombardeamento constante de informação, é mais fácil dar-se a devida importância e saber o que procurar.


As redes sociais tornaram-se quase num facto social para os adolescentes das gerações mais recentes, sendo que tem um carácter exterior ao individuo, anterior ao individuo e, sobretudo, tem um efeito coercivo no individuo, que irá adaptar o seu modo de vida de acordo com o “socialmente aceitável”.

Há uma tentativa (ou um desespero) de igualar certas modas, certos hábitos, certos costumes, com tendência a durarem até ao próximo refresh do feed de noticias, levando a esforços monetários nessa demanda capazes de chocar Keynes.

A comunicação foi instrumentalizada, e o contacto visual é feito muitas vezes apenas com a fonte escolhida no texto que se envia. A linguagem corporal é entendida através de clipes de vídeos, .gifs ou snaps (acho que é isso).


Não quero com isto criticar o uso de redes sociais…talvez apenas a importância que se lhe dá.

O mundo sempre girou, e (spoiler alert!), independentemente dos likes que tenhas, vai continuar a girar.


Porque, no final do dia, a vida continua a acontecer à tua volta. Será que a vês?


Comments


(Clique na Imagem)
Revista oficial do NERI

16ª Edição Revista PACTA

Parceiros d'O CACIQUE:

bottom of page